arالعربية frFrançais itItaliano enEnglish esEspañol deDeutsch

9 de Julho de 2017

XIV Domingo do Tempo Comum, Ano A

A passagem do Evangelho que ouvimos conclui o capítulo 11 do Evangelho de Mateus: um capítulo que começa com a pergunta de João Baptista, na prisão (“És tu aquele que deve vir, ou temos de esperar um outro?” Mt 11,3) e que é seguida por dois severos juízos de Jesus.

O primeiro (Mt. 11, 16-18) é dirigido a esta geração que se mostra incapaz de acolher João Baptista e o Senhor, invocando uma série de pretextos que, na realidade, escondem a sua incapacidade de se implicar, de se abrir ao acolhimento. O segundo é dirigido mais especificamente a duas cidades do Lago: Corazin e Betsaida: eles viram com os seus próprios olhos os inúmeros milagres de Jesus, mas não se converteram (Mt. 11, 20-24).

O que poderiam ter então feito para se converterem?

É o que ficamos a saber na passagem do Evangelho de hoje, onde vimos  a estupefação de Jesus. Ele parece surpreendido com a incapacidade desta geração em se converter, em começar um novo estilo de vida, Ele partilha este espanto com o Pai e louva-O.

Ele não O louva, como é evidente, frente à rejeição que encontrou.

Ele louva-O e maravilha-se com esta forma de o Pai agir, que esconde dos grandes, dos sábios, dos eruditos o que dá a conhecer aos pequenos. A vida não muda de uma forma sensacional: os pequenos continuam a ser pequenos, os pobres não se tornam ricos, mas têm com ele uma relação em que tudo o que é dado pelo Pai ao Filhos é-lhes dado também.

E o que é na realidade este “tudo”?

Este tudo é o que verdadeiramente conta. Quando do episódio das tentações no deserto (Mt. 4, 1-11), o diabo tinha também prometido dar tudo a Jesus (Mt. 4,9); mas Jesus sabe bem que este tudo é o nada, está fora da relação com o Pai e é esta relação que na verdade é o “tudo”.

Jesus pára então e contempla, maravilhado, este “dom imenso”: “Todas as coisas me foram entregues por meu pai; ninguém conhece plenamente o Filho senão o Pai; e ninguém conhece plenamente o Pai senão Filho e aquele a quem o filho o quiser revelar”. (Mt. 11, 27)

O que significa que Aquele que é o senhor do céu e da terra (Mt. 11,25) decidiu revelar-se e dar-se completamente e fá-lo somente com aquele que O acolhe, com aquele que não tem pretensão de O poder conhecer somente pelas suas forças, pelos seus conhecimentos e pelas suas capacidades. O diabo tinha exigido um preço em troca do seu “tudo”.

Os pobres são os que nada têm para dar em troca e recebem a vida como uma dádiva: e o primeiro a viver assim, o primeiro pobre foi o próprio Jesus. É Ele que adopta uma atitude de total acolhimento, de escuta, de confiança: está totalmente voltado para o pai. (João 1,1). E é o primeiro a fazer a experiência de uma vida totalmente dada, cheia da presença do Pai.

Desde então, para nos convertermos, devemo-nos pôr à escuta de uma relação especial, a que liga Jesus ao Pai: no centro da sua troca, no seu diálogo há uma nova forma de vida.

Para além disto, nada mais há senão opressão e fadiga (Mt. 11,28): não se trata da forma habitual de fadiga que a vida reserva a todos, mas da fadiga de viver que sentimos quando nos encontramos com nós mesmos, quando estamos sós, quando nos pomos fora deste diálogo de amor, quando deixamos de ouvir o Pai que se revelou plenamente no Filho (“Tudo me foi dado pelo meu pai”). Se ouvirmos algo diferente, se pretendemos ter uma vida alternativa, o fracasso fará de nós pessoas continuamente fatigadas

Jesus entra nesta fadiga com uma proposta: “Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, que sou doce e humilde de coração e achareis descanso para vossas almas”. O adjectivo “doce” aparece quase exclusivamente no Evangelho de Mateus, que o usa três vezes: nas Bem-Aventuranças, na passagem que acabámos de ouvir hoje, e quando Jesus entra em Jerusalém para se dar até ao fim: é ele a verdadeira mansidão.

Esta doçura, diz-nos Jesus, “aprende-se”: não se adquire de uma vez por todas pois requer uma aprendizagem humilde, constante, uma educação do coração. É nesta óptica, que devemos entender a pergunta de João, na prisão, e com a qual começa o capítulo 11: “És tu…?” (Mt. 11,3)

Na expectativa de João de um Messias forte, vitorioso, justo, Jesus aponta para as obras suaves do Messias, e assim fazendo revela o Pai e o Seu segredo. Convida à conversão que para João, como para nós, não será senão uma conversão à doçura e à humildade de Deus.

+ Pierbattista

image_print
Designed and Powered by YH Design Studios - www.yh-designstudios.com © 2017 All Rights Reserved
X