O Evangelho de João, depois de um prólogo de 18 versículos, começa com um testemunho solene sobre Jesus. Este testemunho é o de João Baptista.

O próprio Jesus, um pouco mais tarde, evocará este testemunho e mencioná-lo-á: depois da cura do paralítico na piscina de Bethesda no dia de sabat (João 5,1 ss), os chefes do povo insurgem-se por ele ter transgredido a lei. E Ele respondeu ter podido fazer isto por estar em comunhão com a vontade do Pai, que sempre trabalha, e citou João Baptista como sua testemunha. “Se for eu a dar o meu testemunho, o meu testemunho não será verdadeiro; se for um outro que me dá o seu testemunho, sei que é verdadeiro. Enviastes mensageiro junto de João Baptista e ele deu testemunho da Verdade” (João 5, 31-33)

O testemunho de João é verdadeiro porque ele viu. Ele não ouviu simplesmente falar, ele não pensou ou imaginou. Ele afirma e repete-o duas vezes: “Eu vi”. (João, 32 e 34).

A testemunha é aquele que tem uma experiência directa com o Senhor, que entra em relação com Ele, que o escuta, que ouve a sua voz. Só assim o seu testemunho pode ser considerado verdadeiro, pode ser considerado como o de uma testemunha credível.

Alguns versículos mais adiante, quando Baptista indicar a Jesus os seus próprios discípulos, Jesus convidá-los-á a fazerem exactamente o mesmo “Vinde e vede”. E é depois de terem feito isto que se tornarão, por sua vez, testemunhas.

O que tem João a dizer sobre Jesus? O que viu ele?

Nos versículos do Evangelho de hoje, João diz a Jesus muitas coisas. Deter-nos-emos em dois testemunhos.

O primeiro é um versículo aparentemente misterioso “ Depois de mim vem um homem, que passou à minha frente porque existia antes de mim” (João 1,3o).

E simplesmente, mas não sem espanto, reconhece que este homem, que nasceu depois dele, chega no entanto primeiro. “Pois antes de mim já era”. (João 1,30).

O grande prodígio de Baptista é o de ver que este ser eterno se tornou carne hoje; e mais ainda, que este ser eterno, tornado carne é o cordeiro de Deus! João percebe que Aquele por quem todas as coisas foram feitas é também Aquele pelo qual todos serão salvos.

O segundo facto de que João é testemunha privilegiada é a relação de Jesus com o Espírito Santo: Eu vi o Espírito Santo descer do Céu como pomba e permanecer sobre Ele”. “Aquele sobre quem vires o Espírito Santo descer e permanecer, batiza-o em nome do Espírito Santo”. (João 1, 32).

João vê que o Espírito desce sobre Jesus e fica sobre Ele, que nele faz a sua morada estável e permanente”. (Sam. 16,13).E assim tudo o que em seguida fizer será feito no Espírito do Pai em comunhão com Ele. Através do Espírito, a relação entre Jesus e o Pai é uma relação indefetível: Jesus nunca abandonará o Pai e o Pai nunca abandonará Jesus.

Vimos o testemunho de João Baptista; mas o Evangelho de João é um outro testemunho que aparece exactamente quando Baptista desaparece. É o discípulo bem-amado, que a tradição identifica como João Evangelista. A seu propósito, é, muitas vezes, utilizado o verbo “testemunhar”. “Aquele que viu dá testemunho e o seu testemunho é verdadeiro; e sabe que diz verdade” (João 21,24). Ele também, como Baptista, viu e acreditou (João 20, 8) por isso pode testemunhar.

Ele também, como Baptista, é testemunha da relação privilegiada entre Jesus e o Espírito: o seu testemunho nasceu sob a cruz quando vê o seu Mestre e Senhor morrer fazendo o dom do Espírito Santo. (João 19, 30).

Assim, se Baptista vê – e dá testemunho – do Espírito que desce e permanece sobre Cristo, o Discípulo bem-amado vê – e dá testemunho – de Jesus que morre dando a todos este Espírito que recebeu do Pai: Espírito que permanece em Jesus e, a partir de então, em todos nós.

Há assim uma relação profunda entre estas duas testemunhas: o testemunho de João Baptista cumpre-se no do Discípulo Bem-Amado, juntos eles dizem que Jesus deu o Espírito para que O possa em seguida partilhar com cada um de nós.

O caminho deste novo ano abre-se assim para nós neste novo horizonte, com um grande sopro, o do Espírito Santo que habita em nós. Nunca esqueçamos que O que em nós habita – pela graça – é a própria vida de Deus. “Que o que for semeado por nós entre nós permanecerá”. (João 3,9)

                                                                                  +Pierbattista

Em italiano no original.

Traduzido da versão francesa.

 

 

 

 

 

 

Designed and Powered by YH Design Studios - www.yh-designstudios.com © 2017 All Rights Reserved
X