sacré / sagard

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JERUSALÉM – Nos dias 17 e 18 de Outubro de 2017, o Elijah Institute organizou no Instituto Ecuménico de Tantur um simpósio sobre as diferentes denominações dadas aos lugares sagrados. Investigadores e professores de todo o mundo procuraram compreender como eram escolhidos estes nomes através dos tempos e das diferentes realidades políticas.

Named de sacred. Foi este o título dado ao simpósio, que decorreu a 17 e 18 deste mês de Outubro, nas salas do Instituto ecuménico de Tantur por iniciativa de Elijah Interfaith Institute com o apoio do Konrad Adenauer Stifng [1].

As últimas declarações da UNESCO foram o ponto de partida que levaram os organizadores a propor este colóquio. Com efeito, estes últimos já se tinham confrontado com a comunidade judaica porque as denominações escolhidas pela Organização das Nações Unidas nestas resoluções referiam-se maioritariamente à religião muçulmana e à cultura árabe.

Os debates foram fundamentados nas intervenções de universitários de diferentes países, trabalhando ou não em “chairs” da UNESCO [2] que apresentaram os seus trabalhos sobre a toponímia de lugares santos no estrangeiro (Roma ou Rússia) ou sobre quando a Igreja teve de fazer face a decisões políticas ou ainda sobre a toponímia de Jerusalém, em diferentes épocas (da Idade Média ao Período Otomano, sob o mandato britânico). A questão dos lugares Santos – considerados como tal pelas diferentes religiões – até à época contemporânea foi também tratada assim como a análise das diferentes deliberações da UNESCO relativas a Jerusalém.

Na última parte, os responsáveis religiosos debateram a ligação de cada religião à Cidade Santa e os desafios políticos que isto pressupõe. Neste ponto, Mons. Giacinto-Boullos Marcuzzo, Vigário Patriarcal em Jerusalém e na Palestina, apresentou o ponto de vista cristão frente ao Rabino Michel Melchior e ao Kadi [3] Iyad Zahalka.

Estes encontros inter-religiosos, apoiados nomeadamente pelo Elijah Interfaith Institute, o colectivo Praying Together em Jerusalém e pelo Instituto Tantur, se não podem, com um toque de varinha mágica, suprimir o conflito, são todos como água partilhada num rio de incompreensão. O conhecimento e a escuta do outro na sua diferença constroem o caminho indispensável para uma paz a que tantos aspiram.

Cécile Klos

[1] – O KAS é uma fundação política próxima da União cristã-democrática da Alemanha (Christlich Dermokratische Deutschlands, CDU).

[2] – As “chaire” Unesco foram criadas para favorecer a cooperação e a integração em redes internacionais de universidades e da sociedade civil sobre temáticas que dizem respeito esta organização das Nações Unidas.

[3] – Um Kadi é um juiz num tribunal muçulmano.

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