Franciscana

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TERRA SANTA – De 16 a 18 de Outubro, na presença do Cardeal Sandri, Prefeito da Congregação pare as Igrejas Orientais, os Franciscanos organizaram três dias de celebrações e conferências para marcar os 800 anos da sua presença como guardiães dos Lugares Santo e de serviço à comunidade cristã da Terra Santa.

São Francisco encontra-se com o Sultão Malik Al-Kamil: início do diálogo inter-religioso.

Estamos em 1217. Os primeiros frades embarcam para a Terra Santa conduzidos por Frei Elie Cortone. Chegam à cidade de Acra no momento em que a quinta cruzada tentava retomar Jerusalém e o resto da Terra Santa que estava então sob o controlo do sultão ayubide Malick-Kamil e em que São Francisco terá a coragem se encontrar com ele em Damieta, no Egipto.

Na sua obra Historia Orientalis, Mons. Jacques de Vitry conta os acontecimentos que envolveram a decisão, bastante arriscada, de São Francisco de se encontrar com o Sultão. Um encontro que durou vários dias e durante o qual o Sultão e a sua corte ouviram com atenção Francisco falar de Cristo. Este episódio revela a coragem e a abertura de espírito de São Francisco, mas também uma grande capacidade do Sultão para escutar.

Oito séculos mais tarde, pode-se fazer um paralelo deste encontro com a visita do Papa Francisco ao Egipto. Durante o seu discurso na Conferência e Al-Azhar, o Papa, que escolheu Francisco para seu nome papal, pediu a interceção do Santo de Assis para que, daquele encontro, nascesse uma nova “civilização do amor e do encontro”.

A missão dos franciscanos da Terra Santa: Para além dos Lugares Santos

O ministério pastoral e a ajuda social foram sempre elementos primordiais da missão da Igreja. Hoje, os Irmãos Franciscanos e a Custódia da Terra Santa são responsáveis por vinte e cinco paróquias e gerem associações paroquiais, lares de terceira idade, residências de estudantes e diversas associações cristãs. Mais de quinze escolas da Terra Santa acolhem mais de dez mil alunos de diferentes confissões religiosas tanto na Terra Santa como no Líbano.

Em Agosto de 2016, o Ministério Israelita da Educação classificou as escolas cristãs entre as melhores do país. Baseadas na excelência educativa e académica, duas escolas franciscanas, o colégio Terra Sancta de Acre e a escola da Irmãs Franciscanas de Nazaré foram classificadas em primeiro e segundo lugar do ranking.

“Encorajo-vos a perseverarem na educação dos jovens. Estes últimos correm muitas vezes o risco de perder a esperança num contexto onde a paz ainda não tem o seu lugar” voltou a dizer o Papa ao Padre Francesco Patton, Custódio da Terra Santa, numa carta que lhe escreveu por ocasião deste aniversário.

O Cardeal Sandri: os trabalhos de restauro trazem coragem numa etapa profética do caminho para a comunhão.

Na sua qualidade de guardiã dos Lugares Santos desde 1342, a Custódia dos Franciscanos tem a seu cargo cinquenta santuários da Terra Santa. Desde o statu quo, estabelecido em 1852, os franciscanos representam a maioria dos lugares católicos de rito latino no seio deste acordo. Este rege e partilha a gestão dos Lugares Santos para travar qualquer disputa sobre a utilização e propriedade dos diferentes espaços,mas que muitas vezes atrasa a realização de trabalhos de conservação necessários em diversas igrejas.

Entre os santuários abrangidos pelo statu quo, e em que os franciscanos têm a guarda conjunta com outras igrejas cristãs, contam-se a Basílica do Santo Sepulcro e a Basílica da Natividade.

Há mais de cinco anos, os franciscanos em colaboração com as Igrejas Gregas ortodoxas e Arménias ortodoxas iniciaram restauros sem precedentes nos Lugares Santos mais importantes. Enquanto os trabalhos na Basílica da Natividade continuam a decorrer, o Túmulo de Cristo restaurado foi inaugurado em Março de 2017, durante uma celebração ecuménica que juntou as diferentes Igrejas de Jerusalém na presença do Patriarca Bartolomeu de Constantinopla.

Durante as celebrações franciscanas, o Cardeal Sandri classificou, no seu discurso de boas-vindas, os exepcionais trabalhos realizados nas duas basílicas como “etapas encorajadoras – mesmo proféticas – no caminho da comunhão à semelhança da oração partilhada pelo Papa Francisco e os Patriarcas Ortodoxos durante a sua visita de 2014”.

Os próximos 800 anos.

Ao longo destes oitocentos anos de presença, os Franciscanos tiveram de enfrentar muitos desafios levantados por diversas circunstâncias políticas e sociais. Nos nossos dias, a Custódia como outras igrejas e instituições cristãs, tem de fazer face ao decréscimo do número de fiéis que partem ou são forçados a deixar aterra ancestral do Médio Oriente em razão de conflitos, de perseguições ou de dificuldades financeiras.

Além disso persistem, nas mentalidades das comunidades cristãs da Terra Santa, algumas ideias falsas. Entre estas, por exemplo, a de pensarem que os recursos materiais e financeiros da Igreja são ilimitados e, pela mesma ordem de ideias, julgarem que têm direito à ajuda da Igreja pela simples razão de pertencerem a uma comunidade.

Face a estes desafios que se apresentam aos franciscanos, o Cardeal Sandri encorajou-os a que prosseguissem na sua missão de “discípulos de Cristo vivendo em fraternidade uma vida simples, pobre, franciscana que dê testemunho do Evangelho”.

Durante as celebrações deste ano que lembraram a primeira viagem destes irmãos que deram, e continuam a dar, a sua vida pelas Pedras Vivas, pelos peregrinos e pela protecção destes lugares onde a Palavra de Deus permaneceu, não podemos senão desejar ver, durante os próximos oito séculos, os Franciscanos continuarem e ser testemunhas de fé e de paz.

Saher Kawas.

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